Por Daiana Cristina
A moradora de Pontes e Lacerda, Nabily Bernardo, está entre as aprovadas no Revalida 2026 , exame que permite a revalidação de diplomas de medicina obtidos no exterior. Após quase 9 anos de dedicação aos estudos e desafios longe de casa, ela consegiu a realização de um sonho que também pertence à família.
Incentivo da família e o início da jornada
Nabily decidiu cursar medicina com o incentivo da família. Em 2017, ingressou na Universidade Cristã da Bolívia (UCEBOL), onde iniciou uma trajetória marcada por aprendizados, sacrifícios e saudade.
Entre idas e vindas, um dos maiores desafios foi permanecer longe das pessoas que ama. Segundo ela, chegar a outro país sem a presença da família foi desafiador.
“Eu sempre fui muito apegada à minha mãe, ao meu pai, meus irmãos e sobrinha, então foi muito difícil”, relatou em entrevista.

O amor pela profissão se fortaleceu durante os nove meses de internato em Mantena, Minas Gerais, etapa prática da formação médica. Foi nesse período que Nabily teve certeza de que havia escolhido o caminho certo.
“Fui com a cara e a coragem, não conhecia ninguém, foi a melhor decisão da minha vida, relatou.
A presença de outros brasileiros na universidade também fez diferença. Em uma turma de aproximadamente 90 alunos, grande parte era formada por estudantes do Brasil, que compartilhavam os mesmos desafios e ofereciam apoio uns aos outros.
“Você vai vendo que está todo mundo ali no mesmo desafio que você. Os brasileiros ajudam muito, e os que fazem medicina no exterior são companheiros. Era como se eu ainda estivesse no Brasil, de certa forma”, relatou.

Formação marcada por desafios
Apesar das dificuldades, Nabily afirma que faria novamente a escolha de estudar medicina fora do Brasil. Para ela, a experiência proporcionou uma visão diferente da profissão, com maior sensibilidade para o lado humano do atendimento.
“Faculdade no exterior, eu faria novamente, sem problema nenhum. Você sai de lá com a visão totalmente diferente, mais humana. Foi sofrido? Sofrido demais, mas faria novamente”, contou.
A fé também teve papel importante durante a caminhada. Nabily participou de uma igreja universitária, onde encontrou acolhimento e apoio para enfrentar a saudade da família.

A aprovação no Revalida representa o resultado de nove anos de dedicação entre a formação e a busca pelo reconhecimento do diploma no Brasil. Foram três reprovações.
“Quando saiu o resultado eu sabia: foi a mão do Senhor, sozinha eu não conseguiria”, disse.
Para Nabily, a conquista vai além de uma realização pessoal.
“Desistir não era opção, não era apenas o meu sonho, era dos meus pais, meus amigos”. Agradeço muito a minha família,meus pais, irmãos e meus avós (in memória)".
Agora, a aprovação abre caminho para uma nova etapa: exercer a medicina no Brasil e transformar em realidade tudo o que construiu ao longo de anos de esforço.

A aprovação também exigiu uma rotina intensa de estudos. Nabily dedicava as manhãs e tardes à preparação, das 7h às 11h, fazia uma pausa de apenas 30 minutos para o almoço e descanso e retomava os estudos até as 17h. À noite, o foco era a resolução de questões, como forma de reforçar o aprendizado e se preparar para o Revalida.
À Tv Centro oeste, a médica afirmou que buscará especialização em geriatria, área que mais de identifica até o momento.
